Eu confesso que sou um bebedor solitário.
Gosto de ir a bares mais do que beber em casa, mas gosto de ficar a sós numa mesa, olhando o movimento. O lado ruim disso é que sempe aparece alguém que acha que você quer bater papo.
Uma vez, no antigo bigode, que ficava no posto de gasolina e se chamava frenético’s bar, quando o bar ainda era tocado pelo pai do atual dono, um bebum que estava de plantão naquele dia começou a se aproximar da minha mesa, doido pra puxar conversa.
Grudei meus olhos da tevê, sem me virar um minuto, para evitar o diálogo. Ele se foi, voltou, foi de novo, voltou de novo, sempre me cuidando, tentando alguma brecha para puxar um assunto.
Por fim, ele viu que eu não ia olhar para ele e me abordou:
— Ei, ei! Gosta disso aí?, inquiriu apontando pra tevê.
Eu nem estava prestando atenção, mas era um daqueles sexta sexy que passava na época, cheio de mulheres de peito de fora que transavam de calcinha com caras de cueca… nunca entendi aquilo.
— É mulher, não?, respondi ao sujeito, sem ter o que dizer.
— Éééé…, ele disse e foi embora.
E mais uma vez fiquei livre e a sós, a cerveja estava gelada e deliciosamente silenciosa.