Foi depois do filme do michael moore, bowling for columbine, que percebi o quanto somos cercados, bombardeados e guiados pela máquina de inventar medos. Desde absurdas abelhas africanas que ameaçariam o continente até o histérico bug do milênio, sempre tem uma ameaça invisível da vez.
Principalmente a classe média parece ser presa fácil desse tipo de raciocínio. No início dos anos oitenta a destruição do mundo seria a AIDS. Lembro do meu pai sempre me dizer para ter cuidado ao ir em um banheiro público para não encostar num mictório, pois poderia pegar AIDS. Era algo assim, instantâneo, na hora. Vivíamos em medo de sermos pegos desprevenidos e tocarmos numa pedra contaminada e virarmos crianças com AIDS, o que inevitavelmente nos tornaria também gays, que era algo que nem sabíamos o que era.
Aqui na Trindade um caso estranho ganhou as manchetes do jornais da época, alimentando ainda mais a paranóia pequeno-burguesa. Parece que um grupo de universitários começara a organizar orgias nos apartamentos do bairro. Até aí tudo normal. O problema é que parece que os organizadores haviam se descobertos com AIDS e faziam isso para contaminar todo mundo propositalmente. Foram uns 4 ou 5 presos, várias semanas de mídia focando sobre o assunto e nunca sobre o quanto daquilo era verdade e o quanto era mentira deslavada, boato que ajuda a vender jornal.
Só o que lembro de certo foi da sugestão de um leitor da época que mandou carta a um jornal sugerindo a mudança de nome do bairro para Trindaids. A piada circulou, e por um bom tempo o nome ficou popular. Estranhamente, acabou não colando e caiu em desuso…
2 Comments
Ah, resolveste atacar de blogueiro também! Que bom. Porque se até a Kelly Key pode, por que Fonjic não poderia?
ps: ligeiramente editado :)
Ok. Eu sempre confundo as pessoas!
E dá-lhe Anacreonte!!!