Trittenbourg 2, um assassino em fuga

Dava repulsa de ver um homem desses fugindo. Arqueja, de cabeça baixa, esgueirando-se entre vielas. O assassino de Trittenbourg assobiava in the halls of the mountain king inpirado no vampiro de Dusseldorf. Ele botava medo nas mulheres que passavam por ele, com sua aura de matador.

Mas o olhar do assassino mostrava tensão e preocupação. Ele precisava fugir, mas não conseguia se concentrar andando na rua cheia de mulheres com bundas empinadas em calças justas. A beleza pulsante das coxas e bundas e seios e olhos e aromas femininos o aturdiam e o deixavam à mercê de seu algoz.

O investigador.

O assassino já nem tinha mais certeza se o investigador existia mesmo ou era um personagem criado por sua mente doentia. O investigador não era da polícia, agia movido por seus próprios desejos, o que o tornava um homem perigoso.

O investigador não era como os homens da lei, ele era astuto, ágil, eficaz. O assasino pausa a música e olha desconfiado para os lados quando chega num local mais amplo. Ele tem medo de prosseguir, mas também tem medo de ficar parado e ser morto por um tiro à distância.

Ele vai até a praça de Trittenboug. As pessoas parecem normal, o sol de inverno parece normal, os ônibus parecem normais, as adolescentes úmidas de frescor virginal parecem normais. Mas ele sabe que o investigador está a sua espreita.

O investigador esteve na última cena do crime. Enquanto a polícia não achou nenhuma pista, ele embrulhou as cortinas com cheiro de charuto e levou numa tabacaria. Agora ele sabe a marca de charutos que o assassino fuma e o assassino tem que se contentar em fumar cigarros baratos.

Ele assobia a música num ritmo mais alto, num crescendo, sem difarçar a tensão. Ele senta num banco de praça fingindo amarrar os tênis para olhar em volta.

O investigador já foi uma pessoa normal. Um sujeito pacato chamado Svensborg que elouqueceu depois que sua filha adolescente de dezessete anos foi agarrada por um sujeito mais velho. Tomou para si as rédeas da vingança e direcionou aos assassinos o ódio pelo fornicador desconhecido. Ele tornou-se o mais perigoso caçador de assassinos já conhecido.

O assassino acorda suado no banco da praça. Por quanto tempo desfalecera, minutos dias? Tudo parece igual ao seu redor, talvez alguns poucos segundo tenham se passado.

O assassino caminha em desespero pelas ruas de Trittenbourg. Era humilhante ele fugindo assim pelas ruas de sua cidade. Ele que por tantos anos fora o caçador.

O assassino de Trittenbourg se arrepende de ter deixado sua fama e autoconfiança lhe dominarem, mas aquela menina o deixara tão relaxado que ele não vira mal em acender um charuto. Cubano legítimo.

O assassino chega trêmuilo em casa. Estava vivo. Mais um dia de triunfo e glória na vida do destemido assassino de Trittenbourg. Ele vai para o chuveiro tentar se aquecer e espantar os tremores do inverno e do medo.

Mas o chuveiro não funciona sem a energia, que fora cortada pela fatura não paga. O assassino se joga deprimido numa cadeira, apenas contente por estar ainda vivo. Anoitece.

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